Stadt: Leipzig

Frist: 2021-05-31

Beginn: 2021-09-15

Ende: 2021-09-19

URL: https://www.lusitanistentag2021-leipzig.de/

Nos últimos anos o Brasil vem passando por profundas transformações sociais e políticas, cujo principal aspecto é o choque de forças contrárias: se por um lado o país vive uma devastação profunda e sistemática de suas instituições democráticas, por outro, há o fortalecimento de vozes que até então permaneciam silenciadas. Grupos com pouca representação junto aos poderes do Estado, sem espaço nas mídias, sem direitos reais. Uma imensa minoria que inclui a maior parte da população: negros, indígenas, mulheres, LGBT, populações periféricas, ribeirinhas, quilombolas, entre outras. Essa discrepância de poderes se reflete também nas artes, cujas instituições regulamentam através do mercado, reconhecimento, prêmios e espaço na mídia quem é ou não reconhecido como artista.

Porém, se por um lado a arte enquanto instituição é uma ferramenta do poder, por outro, a arte, enquanto processo criativo e de interferência no mundo pode ter um caráter subversivo, tornando-se um espaço de transformação social e resistência. Nesse sentido, o objetivo da seção é analisar essas vozes que vem (in)surgindo nas últimas décadas, vozes como Conceição Evaristo e Edimilson Pereira de Almeida na literatura, Alberto Guarani e Patrícia Ferreira Pará Yxapy no cinema, ou Rosana Paulino e Jaider Esbell nas artes visuais. Artistas que vem adquirindo cada vez mais visibilidade nacional e internacional e tecem uma narrativa que inclui a reinvenção e interconexão de diversas temporalidades. De que forma ao dar voz a subjetividades silenciadas, eles contribuem para a criação de outros mundos possíveis? Outras versões, reescrevendo a história até então contada (a história dos “vencedores”), intensificando a vivência do presente, e abrindo espaços na arte para se pensar o Brasil e sua tradição escravocrata e de autoritarismo, como país com outro futuro possível? E mais especificamente, de que forma as diversas subjetividades reorganizam o tempo? De que forma o tempo circular das culturas indígenas, o tempo de um futuro-ancestral afro-brasileiro ou o tempo por vir de um ativismo político podem contribuir para essas tramas? E, tomando por base as palavras de Octavio Ianni: “a modernidade está mesclada no caleidoscópio dos pretéritos, dos ‘ciclos’ desencontrados de tempos e lugares, como se o presente fosse um depósito arqueológico de épocas e regiões”, que modernidade seria essa que nos constitui e que futuros (im)possíveis ainda podemos criar?

A proposta da secção é abordar além de artistas e formatos já reconhecidos, aqueles que devido a seu conteúdo ou mídia fogem a esse escopo, o que poderia incluir eventos como o Sarau das minas, o Leia Mulheres, formatos como a vídeopoesia e as lives, além da literatura/filmes de pequenas editoras/produtoras, que vem resistindo às dificuldades de um mercado cada vez mais fechado. Num Brasil que se afunda no que talvez seja a sua maior crise institucional, a arte e a literatura, mais do que nunca representam um dos pilares dessa resistência que insiste em continuar.

A secção será realizada exclusivamente em português.

O prazo para a entrega de propostas de comunicação termina no dia 31 de maio de 2021. Por favor, envie o seu resumo (máximo 250 palavras) diretamente às coordenadores da secção: peter.schulze@uni-koeln.de / csaavedr@uni-koeln.de / l.bacchini@gmail.com

Peter W. Schulze (Universität zu Köln), Carola Saavedra (Universität zu Köln), Luca Bacchini (Sapienza Università di Roma)

Beitrag von: Peter W. Schulze

Redaktion: Christoph Behrens